Planejando a sua marca pessoal

Por Soeli de Oliveira*

Na busca por montar uma estratégia para sair da condição atual e construir a condição desejada para a sua marca pessoal, três perguntas que servem de ponto de partida: onde eu estou hoje? Onde eu quero chegar? Qual a minha estratégia para chegar lá? E, respondidas as três perguntas iniciais, perguntar-se: ­Como as pessoas me percebem? Quem eu sou? Que ativos e passivos eu possuo? O primeiro passo para um plano de vida é encontrar respostas para estas reflexões.

 

É quase inacreditável, mas a maioria das pessoas não consegue responder a estas três simples perguntas. Sabe aquele “reclamão” na empresa, aquele que parece ter uma nuvem negra pairando sobre a sua cabeça, que reclama, reclama, mas não sabe o que quer? Certamente ele nunca parou para planejar o futuro que deseja para sua vida.

 

Identificamos facilmente três grupos de pessoas no mundo. O primeiro grupo é o dos pessimistas, que não passam de egoístas que não querem alterar a realidade. Eles só acham que vai dar tudo errado e não fazem nada para mudar, pois quando as coisas dão errado, a “culpa nunca é deles”. Sempre culpam terceiros pelo seu próprio fracasso. Não admitem que são eles que não estão conseguindo. O culpado é o chefe, é o mercado, é o governo, e sabe lá quem mais.

 O segundo grupo é composto pelos otimistas. E contra eles pesa o fato de não enfrentarem a sua própria realidade. Os otimistas mantém a fé de que vão vencer.  Acreditam que se  não deu certo é porque ainda não chegou ao final, mas que ao final tudo vai dar certo. Eles têm a grave tendência de achar que algo mágico vai vir resolver os seus problemas.

 O terceiro grupo, a minoria, é feito pelos realistas, que enfrentam a realidade, seja ela qual for. Assumem a responsabilidade de mudar a realidade que os cerca. São senhores do seu destino. Sabem onde querem chegar e têm objetivos próprios. Estão conscientes de que sem objetivos vão parar em qualquer lugar. É inconcebível uma empresa sem planejamento estratégico, sem visão para os próximos anos. Por que nós não pensamos da mesma forma que os empreendimentos vitoriosos?  Quem não tem objetivos, sabe-se que vai parar em qualquer lugar.

 Quem está disposto a construir pontes para o futuro reflete: quanto eu quero estar ganhando daqui a dois, cinco e dez anos? Que pessoas eu quero conhecer? Com que pessoas eu quero conviver? Que lugares eu quero visitar? Que livros eu quero ler? Que conhecimentos eu quero adquirir? Que coisas eu quero melhorar? Como pai? Filho? Marido?

 

As empresas muitas vezes brigam para alcançar dois a três pontos percentuais de crescimento acima da inflação no ano. Já na vida pessoal, por vezes, estamos estacionários, isso quando não em marcha ré. Qual a estratégia? Como eu vou chegar até lá? Para avançar, a maioria das vezes as pessoas estão bem preparadas no campo técnico, o que a maioria precisa é melhorar é nas atitudes. Muitas vezes, o que falta é simplesmente a aplicação da velha técnica TBC – “Tirar a Bunda da Cadeira” e fazer o que tem de ser feito. O dever de casa, que já sabia que tinha de ser feito, mas ficou procrastinando.

 Lamentavelmente, um grande número de colaboradores espera que as empresas assumam a gestão de suas carreiras. A má notícia que eu tenho para dar é que as empresas não nasceram para fazer a gestão da carreira dos colaboradores. As empresas têm outra missão para cumprir. É verdade que elas precisam das pessoas, que são o capital mais precioso que elas possuem, mas a vocação das empresas não é ajudar as pessoas. Só existe um interessado em fazer a gestão do nosso maior patrimônio, que é o nosso nome, a nossa marca pessoal: nós mesmos. Não cometa a criancice de entregar essa tarefa pessoal para nenhuma instituição.

 Acreditando-se ou não, “a vida é resultado de 10% do que nos acontece e 90% como reagimos ao que nos acontece”.  O maior poder que nós temos é o poder sobre as nossas próprias atitudes. Como enfrentamos a nossa própria realidade? É aí que não podemos ser reféns de ninguém. A atitude na ocupação de espaços vazios nas organizações e na sociedade é uma atitude que faz uma grande diferença. Por mais analíticos que sejamos, não conseguimos descrever tudo o que uma pessoa precisa fazer em um cargo. Imagine descrever tudo o que um gerente ou supervisor tem de fazer. Damos algumas diretrizes, dizemos o que é macro, fora isso, contamos com o bom senso das pessoas. Mas, sabe o que acontece? Surgem enormes espaços vazios entre os cargos. São coisas que precisam ser feitas, mas que não é de nenhum dos cargos formalizados.

 Observem os colaboradores de vocês. A atitude de quem vai brilhar é a de ocupar os espaços que não são dele (a), os espaços vagos. E observe a atitude do perdedor: quer somente se ater à descrição de seu cargo, a somente àquilo pelo qual é pago. Outra atitude significativa é ir além do permitido. Nas empresas existe um código não escrito do que é permitido e um código do que é proibido. A gente sabe que não dá para descrever, mas precisa ser realizado. Há coisas que não sabemos se são proibidas ou permitidas e elas constituem as coisas opcionais, que também fazem parte juntamente com os espaços vazios das oportunidades aproveitadas pelas pessoas dispostas a crescer através do servir. É preciso não se acovardar diante dos desafios e corajosamente “se atirar de cabeça”, pois a face oculta dos riscos é as oportunidades que eles representam.

 Outro passo avançado na busca de objetivos é buscar entender: como eu vou chegar lá? Que passos eu preciso dar? Uma coisa é certa, “sorte é quando preparação se encontra com a oportunidade”. Quantos livros você leu este ano sobre a sua profissão? No ano passado? E no ano anterior? Seria muito difícil para você ler cerca de 20 páginas por dia e com isso ler em torno de 3 livros por mês, ou seja, 36 livros por ano? Isso por certo faria diferença na sua carreira profissional. Não faria?

 

Num mundo de hipercompetição, melhoria contínua já não é mais suficiente. Precisamos em alguns momentos ser capazes de dar saltos em nossas carreiras, o que é possível se descobrirmos: no que nós somos bons e podemos nos tornar excelentes? O que nós gostamos de fazer e fazemos com paixão? No que podemos nos tornar os melhores do mundo? Por que não ganhar dinheiro com as coisas que sabemos fazer muito bem? Essa é a busca da interseção entre a excelência, a paixão e a diversão. Imagine ser muito bom no que faz, aprender muitas coisas todos os dias e ainda ser bem pago por isso? Isso é já viver um pedacinho do “paraíso” aqui na Terra. Ao invés de buscar pela profissão que dá mais, nossos filhos deveriam estar sendo conduzidos nessa direção.

 Seja humilde e aprenda sempre. O bom é o inimigo do melhor. A prática nos leva à competência, a competência nos leva ao sucesso, e este por sua vez, pode nos levar ao engessamento de acreditar que essa é a única e melhor forma de se fazer as coisas. Quando achamos que não precisamos ouvir mais ninguém, esse é o começo do fim.

Mantenha a sua identidade. Não deixe de ser você mesmo, mas saia da mesmice. Repetir-se até a exaustão é pobreza de espírito. Equivale a morrer e esquecer-se de deitar. Fazer o mesmo durante toda a vida é não evoluir. Queira, aprecie, entenda e faça mudanças. No mundo, a única coisa que é permanente é a mudança e “quem não muda, dança”.

 Pense em todas as inovações que apareceram nos últimos anos no mercado e constate que elas quase sempre não foram propostas pelos líderes de mercado no segmento. Quem deveria ter criado a internet, não seriam os correios? Não entregavam milhões de cartas por ano? Eles ficavam entregando cartas e estão até hoje entregando cartas. Mas, estavam com os olhos fechados para a inovação. Ficamos tão dentro do negócio que  não conseguimos ver. Reflita sobre esta miopia. Pense em que legado você quer deixar para a posteridade. Também nas empresas não deveríamos fazer as pessoas vestirem a camiseta da empesa, mas fazer as pessoas entenderem o significado para a construção do que elas estão fazendo.

 Quem encontra significado no que faz abre as portas da paixão. E, tem coisa melhor do que viver apaixonado? Paixão é a condição básica para a excelência. A excelência não é um lugar onde vamos chegar, é a caminhada. A ideia não é perseguir a excelência e ponto final. Eu gosto da ideia de que planejamento é um exercício de fazer perguntas. Por que não faço diferente? Por que não encontro uma nova maneira de fazer as coisas? Por que não me tornar um ser humano melhor?

 *Este artigo foi baseado no livro Personal Branding, de Arthur Bender.

 Soeli de Oliveira é consultora, palestrante e articulista do Instituto Tecnológico de Negócios nas áreas de marketing, varejo, atendimento e motivação. www.itnconsultoria.com.br – E-mail: soeli@sinos.net – Novo Hamburgo/RS.