Construindo a sua marca pessoal

Por Soeli de Oliveira*

Não existe uma imagem ideal, já que ela depende da imagem que se quer projetar.  Muitas das recomendações sobre os cuidados com a imagem são de aplicação universal, mas a imagem ideal a ser construída depende do projeto de vida de cada um de nós. O dilema é que a maior parte das pessoas não tem um projeto de vida, não tem foco e nem sabe aonde quer chegar. Fica andando em volta, feito “barata tonta”, atingida pelo spray de inseticida.

Toda imagem dá um recado. Faça um balanço da sua vida e pense na imagem que você passa através das roupas que usa, de seu corte de cabelo, das tatuagens, dos acessórios, da arrumação da sua mesa e local de trabalho. O recado que você dá, contribui ou atrapalha para chegar aonde pretende chegar?

Para sair de um ponto “A” para um ponto “B” é preciso ter um plano e uma estratégia, que nada mais é do que o caminho a ser percorrido. Como dizia Séneca, famoso pensador romano que viveu no primeiro século, “para quem não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve”. O triste é que na vida poucas pessoas se preocupam em definir objetivos, ações e o aproveitamento de tempo. Por isso, não é de se admirar que tão poucos alcançam o tão sonhado sucesso.

Um bom plano começa com uma boa análise e reflexão pessoal.  No caminho para o topo precisamos nos deparar com as boas e as duras realidades das nossas atitudes e comportamentos. É preciso encontrar respostas em nosso interior para perguntas cruciais como: ­ – O que gostamos de fazer? – O que detestamos fazer? – Quais são os nossos pontos fortes? – Quais são os nossos pontos fracos? ­

Se com frequência nossos familiares, chefes ou colegas de trabalho por onde passamos, e por vezes, até os nossos subordinados, tentam nos alertar sobre as virtudes e deslizes de nossos comportamentos, é prudente levá-los a sério e encarar de peito aberto.

A vida é feita de escolhas. Temos que escolher ser um produto nobre de grife ou uma mercadoria sem identificação. Pense no que você quer, o seu desejo é ser um produto com ou sem marca? As nossas inconfundíveis digitais sinalizam que em alguns pontos somos únicos e diferentes. Reconheça e invista nas suas singularidades e faça delas o seu diferencial, a sua marca registrada.

A soma de todas as nossas experiências e de todas as nossas impressões levam-nos a construir a nossa reputação ao longo da vida. Tudo que fazemos deve ser feito no sentido de aumentar a confiança em nossa marca pessoal. É preciso ter muito cuidado com a reputação da nossa marca, porque depois de algum tempo a reputação de nossa marca pessoal passa a ser decisiva para abrir ou fechar as portas do mercado. Uma boa reputação atua no sentido de desequilibrar as negociações a favor de quem as possui. Todos os varejistas sabem da importância da reputação das marcas no varejo e fogem “como o diabo foge da cruz” dos leilões de preços. Reputação não se constrói da noite para o dia. É difícil de construir e fácil de perder.

Negociamos o tempo todo, desde o nascimento até a morte. As negociações fluem melhor quando as pessoas se predispõem de boa vontade a nos escutar. Estabelecem uma sintonia conosco porque acreditam em nós. Dispõem-se a escutar porque acreditam que sabemos muito sobre alguma coisa de seu interesse ou gozamos de uma elevada reputação.

Todos nós temos muitas escolhas para fazer a todo o momento e dispomos de pouco tempo para decidir. Vivemos em uma sociedade de excessos por todos os lados e para nos proteger fazemos constantes descartes. Um grande supermercado tem em torno de 40.000 produtos nas suas gôndolas. Já uma família média adquire em torno de 300 diferentes produtos por mês. Isso significa que descarta todos os meses a quantia de 39.700 produtos. No mundo atual esta  realidade também se repete na oferta de serviços.

Quem determina os preços dos produtos no mercado são os fornecedores, mas quem valida o valor dos mesmos são os clientes, não importando se o produto em evidência é uma simples barrinha de cereais ou um talentoso profissional. Como marcas, somos o resultado das percepções das outras pessoas sobre nós. Não interessa quem somos, o que importa é como acabamos sendo definidos por nossos potenciais compradores. E esta lei vale tanto para produtos de consumo como também regem a empregabilidade e venda de serviços profissionais. É uma lei do marketing, tão importante como a reconhecida lei da gravidade que não pode ser abolida.

Cada um de nós, querendo ou não, somos rotulados pelas pessoas que nos rodeiam por algum adjetivo que define quem realmente nós somos, e esses rótulos são capazes de alavancar ou destruir nossas carreiras. Sabendo-se que todos nós temos um adjetivo atrás de nosso nome, que adjetivo define a sua marca?

Este artigo foi baseado no livro Personal Branding de Arthur Bender.

 Soeli de Oliveira é consultora, palestrante e articulista do Instituto Tecnológico de Negócios nas áreas de marketing, varejo, atendimento e motivação. www.itnconsultoria.com.br – E-mail: soeli@sinos.net – Novo Hamburgo/RS.